Arca tumular de Vasco Esteves de Gatuz

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Descrição

A arca tumular de Vasco Esteves de Gatuz é produzida em mármore branco de Estremoz, assente em duas figuras zoomórficas, dois leões que se encontram em posições diferentes e seguram um pequeno animal entre as patas.

Na tampa desta arca encontra-se o jacente, um homem de idade avançada, deitado sobre as costas em dois almofadões de borlas.

Encontra-se de olhos fechados e como que tranquilamente adormecido. Tem o rosto comprido e a testa alta e os longos cabelos acompanham o rosto e assentam nos ombros, ondulados, tal como o barba que simétrica e pontiaguda acompanha o tamanho do cabelo.

Tem vestido uma longa túnica que permite drapeado largos e rígidos e segura sobre si uma espada embainhada que o acompanha desde o ventre até aos pés, no pomo desta espada numa forma discóide encontra-se a estilização de um gato.

Embora actualmente apenas reste um, supõem-se que seriam dois os anjos que o acompanham , em oração e seguram o turíbulo.

Aos seus pés dois lebréus de tamanhos diferentes, estando o maior a descansar a pata sobre o mais pequeno.
Este jacente está orientado para esquerda, o que se verifica quer pela representação deste lebréus, quer pela posição do rosto e pés ligeiramente inclinados para o lado esquerdo.

No facial lateral em relevo encontramos uma representação conjunta de duas actividades venatórias diferentes.
Os limites laterais do painel são a pedra de armas da família Gato: “Dois gatos passantes e sobrepostos, bordadura carregada de crescentes, não oito, como se tornou tradição, nem dezasseis, como o Livro do Armeiro-Mor apresenta para os Gatachos de quinhentos, mas sim com doze crescentes”.

Assim, a cena central é a representação equestre de Vasco Esteves de Gatuz numa caçada, conjugando dois tipos de actividade cinegética, a montaria e a falcoaria.

Faz-se representar a cavalo, transportando um falcão na mão esquerda e segurando as rédeas com a direita.

No seu testamento,Vasco Esteves de Gatuz faz referência à sua ave de presa, um falcão lanário – “fallcom alfe[ne]que” dando indicação de quem ficaria com ele após o seu passamento. É esta atenção e cuidado representativa de uma gosto particular por este modo de caça e pelo valor atribuído a esta espécie.

Atrás de si encontramos um monteiro que, sopra o olifante e descansa a lança contra o ombro.

À frente do cavaleiro desenrola-se o momento em que os cães capturam a presa que, na opinião de Mário Alberto Nunes Costa, é um “porco montez”. A acompanhar este momento está um outro monteiro que segurando um bordão, instiga os cães ao ataque.

Como forma de enquadramento, foram esculpidas em baixo-relevo algumas árvores, estando em duas delas, aves pousadas, provavelmente, como justificação para a presença do falcão.

Na parede junto ao túmulo encontra-se uma lápide no mesmo mármore de Estremoz que indica quem se encontra sepultado e dá indicação do nome da viúva, Margarida Vicente com quem casara em 1363, embora sem descendência.

Autoria
Sem Autor.

Época/Periodo Cronológico
Século XIV (segunda metade).

Materiais
Escultura e relevo em mármore branco de Estremoz.

Medidas
Não aplicável

Estado de Conservação
Deficiente

Proveniência
Vasco Esteves de Gatuz era um homem bem relacionado, com poder económico e propriedades que residia na Vila de Estremoz.
Embora não se saiba ao certo a data em que faleceu, aponta-se para um período que vai de Abril de 1363 até 15 de Abril de 1384, no entanto, é certa a data do seu testamento – Abril de 1363 – altura em que se achava doente e temia não recuperar.
Neste testamento podemos verificar o seu poder económico que se manifesta por meio de esmolas e ofertas avultadas às igrejas de Santa Maria de Estremoz e Santa Maria da Alcáçova de Elvas e ao mosteiro de S. Francisco de Estremoz.
É precisamente este o mosteiro que refere no seu testamento como local de eleição para o seu sepultamento: “… mando me soterrar no moesteyro de Sam Francysquo d’Estremoz, com meu yrmão e mando hy com meu corpo jgreja vymte livras”. Vasco Esteves de Gatuz tinha um grande apreço pela ordem franciscana que no século XIII se tinha instalado na Vila de Estremoz.

Continua no seu testamento: “Item mando que, se eu for soterrado no dicto mosteiro, que pollos meos bens comprem h~u moymento muito homrrado que seja feito e ordenado da obra e feytura que he ho moymento do Degolado que esta em Evora e metão em elle mym e meu irmão Martym Estevez”. Não se consegue, no entanto, identificar o artista, nem sequer a obra a que se refere no seu testamento.

Bibliografia associada
COSTA, Mário Alberto Nunes. – Vasco Esteves de Gatuz e o seu túmulo trecentista em Estremoz. Lisboa, Academia Portuguesa de História, 1993;
http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/69808;
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3833

Instituição ou Proprietário
Igreja de São Francisco de Estremoz

Localização
Largo dos Combatentes da Grande Guerra (Largo Dragões de Olivença)

Esta ficha foi elaborada por: Renata Alves

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